Archive for outubro, 2008

Desaioquê?

O Mundo

O Mundo

O artigo que estava aqui foi removido.
A causa da remoção foram os comentários dos designers revoltados.
Após ler e refletir um pouco achei que esta seria a melhor solução.

Dois comentários, especialmente, foram determinantes.

O primeiro assinado pelo sr. Paulo educadamente oferecia ajuda para a questão.
Apresentava a suas qualificações na área de design com destaque para 2 graduações, uma em design e outra em arquitetura e, diante disso, imagino, deve estar contribuindo para definir o que faz um designer, captando seguidores da suas idéias.
No contexto atual, possuir graduações é bastante respeitável.

Em meio às suas muitas palavras, vou destacar 2 exatamente como estavam escritas e que mostram como anda o ensino no Brasil, inclusive do design. Logo no início, lamentando o que eu tinha escrito, ele usa o termo “em fim” que suponho referir-se à enfim.
Logo após, explicando quando entendeu o que era design, crava no texto a forma “atraz” quando, supondo novamente, a intenção era dizer atrás.

Conseguir 2 graduações apesar de não ter sido alfabetizado corretamente me faz duvidar mais ainda desse design que diz ir muito além da forma e função, passando por cima do desenho para representá-las, para discutir a sua relação com o meio, seja lá o que isso quer dizer.

O outro comentário decisivo foi feito por uma pessoa supostamente chamada Carol que, sem paciência e revoltada, dizia para eu enfiar um x-burger no rabo utilizando no lugar da palavra rabo outra muita conhecida formada por 2 letras.
Esse foi a gota d’água.

Não fiquei chocado pela proposta, mas sim por ver que uma “diretora de arte” não sabe que a palavrinha com 2 letras não leva acento.
Isso é básico, pois esses “designers“, como a Carol, andam animados em desenvolver brands e outras cositas más para os seus clientes.

Todos os comentários, sem exceção, foram escritos por pessoas (professores inclusive) que, notadamente, não foram alfabetizadas corretamente e mesmo assim conseguiram concluir um curso universitário.

A capacidade de interpretação de um texto também parece ter sido bastante afetada nos últimos anos, pois o artigo que estava aqui anteriormente não foi escrito para designers, mas sim para orientação básica de alguns consumidores que ainda não sabem diferenciar o design do artesanato.
Nenhum artigo deste blog se destina a discutir academicamente qualquer tema ligado a design.

Para os que gostam de fazer isso, indico este link aqui, onde as mais fantásticas definições de design estão presentes.
Dá para passar um final de semana inteiro polemizando e discutindo a questão.

O meu negócio é outro.
Não me enquadro nessas definições de designer, não quero ser designer e, definitavamente, não sou designer.
Para mim o assunto está encerrado e o meu artigo não vai mais fazer o mundo entender erroneamente a profissão dos designers.
Tchau, mossada!
Ooops! MoÇAda!

Não precisa ir ao oftalmologista, simetria é uma coisa simples.

Cama do casal e do gato

Cama do casal e do gato

“O Natal será extraordinário”, disse Lula, e “a crise não afetará o Brasil”, reforçou Mantega.
Você pode entender o conceito da simetria analisando essas duas frases. No objetivo, elas são simétricas, pois têm os lados semelhantes: querem nos enganar.
Mas se forem analisadas dentro da realidade, são assimétricas, pois enquanto um lado do mundo falava uma coisa, aqui eles falavam o contrário.

Pois bem, no mundo quase tudo é simétrico.
A simetria acontece quando você divide um objeto ao meio, ou atravessa-o com um eixo central, e o resultado são duas partes semelhantes.
Estamos acostumados a ser e ver o mundo de forma simétrica: temos dois olhos, dois braços, duas pernas, duas orelhas, dois mamilos etc.
O que temos de um, ou seja, uma boca, um nariz, um sexo etc, estão localizados exatamente no centro, então quando separados ao meio por uma linha, transformam-se em duas metades semelhantes.
Tecnicamente está claro, não?

Na decoração, acontece a mesma coisa. E não é para nos enganar, como o Lula e o Mantega tentaram, mas pura e simplesmente por costume.
Uma cabeceira de cama é simétrica, tem os dois lados iguais. Repete-se a simetria nos criado-mudos, nas portas dos armários, na disposição dos sofás e poltronas…
Balanceamento ou preguiça?
Está mais para preguiça de quem desenhou, uma doença comum revelada em qualquer projeto.
Ao iniciá-lo, o designer já parte de um banco de memória visual e não questiona, ou melhor, não propõe uma nova solução.
É comum, mais fácil e mais vendável.

A simetria acontece na natureza por uma razão muito simples: o equilíbrio físico.
Se você tivesse somente uma perna de um lado e um braço do mesmo lado, teria uma certa dificuldade para andar.
Na decoração, quando a simetria é questionada, normalmente o argumento é o equilíbrio, não físico, mas visual.
Não convence, é o típico argumento de quem é pego com as calças na mão.

Se deixássemos um pouco de lado o costume da simetria, teríamos ambientes menos chatos e menos óbvios.
Não entenda que tudo deve ser assimétrico (o oposto da simetria), mas se variar a posição faz bem na hora do sexo, deve fazer bem também variar os conceitos na hora de decorar e projetar.

Por falar em sexo, uma cabeceira de cama poderia ser assimétrica, não?
Ou será que provocaria uma briga entre o casal na hora de cada um escolher o seu lado?

Foto de surekat

Vamos voar.

Apenas por curiosidade e para dividir o estranhamento.
Procurando fotos de camas no Flickr para ilustrar uma postagem sobre simetria, veio um monte de fotos com gente voando .
Deve ser algum esporte novo…

Super Homem

Super Homem

Pirueta

Pirueta

Lutador

Lutador

Aquela garrafa pet que você reciclou não vai salvar o planeta.

Tem jeito?

Tem jeito?

Um belo dia você resolve mudar de atitude para ajudar o planeta, reciclando.
Uma garrafa pet, uma tesoura, uma pistola de cola quente, alguns picotes e cortes na garrafa e pronto!
Ela se transforma em uma luminária. Muitas vezes de gosto duvidoso e, passada a onda, vai parar no lixo reciclável.
Sua luminária não serviu para muita coisa, nem para decorar e muito menos para salvar o mundo.
Para cada garrafa pet que você tenta tirar de circulação, outras milhões são colocadas no mercado.
Não vai ser esse o caminho, vai servir apenas para enganar a sua consciência.
Mas aí você diz “mas eu reciclo, separo o meu lixo”. Enquanto postura, é ótimo.

Mas reciclar as suas garrafas pet também não vai resolver, infelizmente.
Quando você recicla as suas garrafas, você está fornecendo matéria-prima barata para a indústria do plástico. Em outras palavras, trabalhando de graça.
Radical? Não, nem um pouco. Antes de discordar, pense um pouco.
Quanto você recebe para fazer esse serviço?
E para onde vai esse plástico que você reciclou?
A indústria paga quanto por esse plástico?

Ela recompra esse plástico por um valor muito baixo e reprocessa-o. E continua comprando matéria-prima para fabricar plástico virgem, pois o consumo é sempre crescente.
O plástico reprocessado ela vende de novo para você, transformado em outros produtos.
Funciona assim: você paga na primeira vez e devolve para eles sem receber nada, eles revendem para você e você devolve de graça novamente para eles, eles tornam a revender e esse ciclo vai se repetindo até eles nunca mais conseguirem fazer nada com o plástico.
Nessa hora eles descartam o plástico na natureza.

E qual a solução?
Uma delas é parar de consumir plástico, parar de aumentar a lucratividade desses sujeitos e diminuir esse ciclo.
Evite tigelinhas e potinhos de plástico, coisinhas fofinhas e todo o resto.
Pratique o consumo responsável. Comece a ser seletivo na compra, quando não tiver opção, tente não comprar.
Vai fazer bem para o seu bolso e para o planeta.

Compre somente quando for inevitável.
Até porque não existe macarrão, iogurte ou refrigerante sem ser no plástico.
É impossível? Não é.
Mas isso fica para uma outra postagem.

Você usaria?

O sofá detestado.

O sofá detestado.

Um dos desafios da decoração contemporânea é fazer a pessoa aplicá-la em sua própria casa, vencendo a barreira do convencional.
A proposta contemporânea se resume em utilizar materiais e temas que adequam o ambiente ao estilo de vida de hoje.
Atualmente, nada mais lógico que o reaproveitamento de materiais, a praticidade e a individualização estejam presentes na decoração.
A maioria acha genial, mas hesita na hora de usar em sua própria casa.

Para ilustrar a questão, compensa acompanhar o dilema da Isabel com o sofá que ela detesta e a sua solução aparentemente provisória. Os links estão no final da postagem.
Eu estou acompanhando com o maior interesse e quero ver o final dessa história (se a Isabel optar por trocar o sofá).
Na tv, a Casas Bahia ficam chamando a Isabel para comprar um sofá novo.
Na internet, a Talma mandou ver uma sugestão totalmente contemporânea.
Eu não arrisco fazer uma aposta. E você?

Conheça a história toda nestes links:
Isabel e o sofá
O sofá repaginado
A sugestão da Talma

O lugar aonde eu moro.

Manhã na praça

Manhã na praça

A postagem abaixo faz parte do projeto Mostre-se ao Mundo, realizado pela Abril Digital, onde os blogueiros publicam suas fotos retratando a sua cidade.
Sou um dos convidados e se você se interessa por fotografia e urbanização, convido você para, após ler o texto, clicar nos links dos álbuns com as fotos do projeto sobre a minha cidade no final desta postagem.

“Sempre associei o lugar onde eu moro com a minha casa. Deve ser porque o meu assunto principal é decoração de interiores.
Mas quando recebi o convite para participar do projeto Mostre-se ao Mundo retratando a minha cidade, me dei conta que ela também é o lugar onde eu moro.
Parece óbvio, mas não é tanto assim. Não consideramos verdadeiramente as nossas cidades como as nossas casas.

Se considerássemos, elas estariam melhores. Habitamos as cidades como se elas não fossem parte da nossa vida, mas um meio onde necessariamente temos que estar. E conviver.

Moro em Araraquara, Estado de São Paulo, uma cidade do interior.
Não tão pequena como os moradores das capitais imaginam as cidades do interior e nem tão grande como os moradores de uma cidade do interior querem que sua cidade seja.
Nos ensaios fotográficos mostro detalhes que se não formos capazes de administrar e corrigir, me fazem concluir que não seremos capazes de resolver questões mais complexas.

Não adianta discutir a favelização, a criminalidade, o trânsito, a arrecadação, o desemprego etc se nós, como contribuintes, não nos importamos com pedras soltas no piso de uma praça ou um pequeno buraco na calçada.
E o administrador, se não tem capacidade para manter uma praça bem cuidada, não terá capacidade para mais nada.

Poderia ter feito fotos bonitas, vistas noturnas, detalhes arquitetônicos com o céu ao fundo, uma praça com chafariz.
Estaria enganando vocês.
Pior, estaria me enganando.”

Esta postagem é parte da Missão – Mostre-se ao Mundo, proposto pela Abril Digital aos blogueiros e é completada com a publicação das fotos no PinFotos. São 4 álbuns que podem ser acessados pelos links abaixo:

- Vistas da cidade
-
Cenas Cotidianas
- Coletividade
- Municipalidade

Quer apostar que eu sei a cor do seu carro?

Todos os carros são prata.

Todos os carros são prata.

Se o seu carro é novo, digo sem medo de errar: é prata.

Há algum tempo as ruas estão sendo invadidas por carros na cor prata. É impossível não notar o fenômeno.
Comecei a formular uma teoria com uma lógica interessante.
O brasileiro escolhe carros na cor prata porque a natureza aqui é muito farta em cores.
Temos praias, frutas em cores cítricas e berrantes, orquídeas, sol o ano todo, enfim somos privilegiados.

Não precisamos de cores nos nossos carros, ao contrário dos europeus, que têm uma paisagem cinzenta na maior parte do tempo, prédios antigos cinzentos, um inverno longo, a neve que só é bonita para ver e não para conviver.
Por isso eles compram carros coloridos, para levar um pouco de cor para as ruas. Até carro na cor framboesa você vê.
Amarelo então…

É assim que se começa um conceito sem fundamento.
Alguém escreve alguma coisa, outro lê, passa adiante, cai na mão de algum formador de opinião que tem um canal em um veículo com uma penetração forte e em algum dia, que ele está sem assunto melhor, coloca uma teoria dessas com ares de grande descoberta.

A razão dos brasileiros comprarem carros prata, infelizmente, é bem mais prosaica: são mais fáceis de revender.
Seria muito mais confortante saber que o brasileiro coloca o seu gosto acima de qualquer outro motivo na hora da escolha.
Não nos ensinaram assim.
Triste.

Coisas que nunca vão acabar.

Cores contrastantes

Cores contrastantes

Podemos exemplificar o contraste assim: você lê no jornal, durante o café da manhã, que o IBGE divulgou novos dados e que a desigualdade no país diminiu. A pobreza está acabando.
Termina o café, fecha o jornal e sai para a rua.
Você dá de cara com um garoto magrelinha pedindo esmola na janela de um automóvel importado impecável.
Isso é o contraste: não o garoto contra o carro importado, mas o que você leu dentro da sua casa contra o que você viu na rua.

Na decoração, o contraste é exatamente o oposto da harmonia, tratada em postagem anterior.
Pode acontecer de várias formas, mas o mais comum é através de cores.
As cores são como as notícias, sempre têm o outro lado. Isso chama-se roda cromática (você pode ver uma no final desta postagem), é um assunto técnico e chato para a maioria. Mas se você estiver a fim, leia aqui.

Círculo da cores

Círculo da cores

O uso de contrastes não é comum na decoração, principalmente hoje, onde tudo é neutro, muito escuro ou muito claro. Infelizmente, o contraste de cores foi associado ao jovem e muitas vezes ao mau gosto.
Há pouco tempo, você deve se lembrar, era comum exemplicar o cafona usando a combinação roxo com amarelo. Queimaram essas cores.
Você pode utilizar as cores no contraste máximo ou não, depende da sua coragem.
A foto que abre esta matéria e que a maioria acha uma bela visão, tem uma combinação feita pela natureza e… surpresa!: utiliza o contraste entre duas cores, o laranja contra o verde.

Muitas mentiras foram ditas ao longo dos anos e continuam, baseadas em teorias infundadas sobre as cores.
O mais comum é dizer que cores fortes e contrastantes vão deixá-lo cansado, que depois de um tempo você vai querer mudar tudo, que excitam demais fazendo com que você não consiga ficar no ambiente.
Não sei você, mas eu ficaria horas e horas deitado em um ambiente como o da foto, sem pensar em bolsas caindo e dificilmente iria querer levantar dali. APESAR DAS CORES!

As cores contrastantes normalmente resultam em um ambiente alto astral.
Tudo é uma questão de saber dosar e saber o que se quer. Deixe novamente as teorias de lado.
Pense muito antes de transformar a sua casa em um ambiente sombrio e neutro.
Contrapondo-se ao mundo mostrado pelos decoradores chics está a natureza.

Confio mais nela.

Os blogs que eu leio.

A casa da Isabel

A casa da Isabel

Quem escreve em um blog sempre acaba lendo outros blogs.
Eu leio alguns sobre design, outros sobre decoração e a maioria sem a ver com nada disso.
Mas existe um blog que desperta o meu interesse e acompanho com a maior atenção, o Casa de Juntados.
Explico o porque: é um blog totalmente diferente de todos os outros que conheço com o tema decoração.
Ele fala de um jeito de decorar que nunca é mostrado em revistas, blogs, matérias em tv etc.

O Casa de Juntados é imbatível no quesito “eu faço porque é possível” e isso é o que desperta o meu interesse.
E de uma certa forma ele é uma referência importante para dosar conceitos. Ele é uma boa mostra de um conceito que eu procuro espalhar e acredito: o design possível ou a decoração possível.
Quem ainda não conhece o blog e se interessa por decoração, deve visitá-lo (clique aqui) e principalmente ler as postagens, para entender a essência do que é decorar, ou seja, transformar um ambiente em algo agradável para quem vive nele, independente de todo o resto.

Nada mais que isso.

Será que combina?

Azul do céu

Azul do céu

Eu já ouvi essa pergunta muitas vezes.
Você também deve ter ouvido e perguntado algumas vezes.
É a principal dúvida da decoração e tem sempre a ver com as cores.
Combinar, no caso da decoração, é usado de uma forma imprecisa. Seria melhor pensar em harmonizar. Claro que você não precisa sair por aí falando “Será que isto vai harmonizar com aquilo?”
A questão é do conceito e não da palavra.

A harmonia é algo fácil de aplicar: pense em agrupar.
Por exemplo: um grupo de cores frias é um grupo de cores que se harmonizam entre si. O verde harmoniza com o azul, que harmoniza com o lilás etc.
Outro exemplo: um grupo de cores pastéis. Nesse caso você não precisa agrupá-las pela temperatura, mas sim pela intensidade, porque as cores pastéis são todas apagadas, então você pode agrupá-las pelo princípio que todas são claras, portanto vão harmonizar entre si.

Para que você não fique com mais dúvidas do que as que já tinha quando começou a ler esta postagem, vamos aos exemplos práticos:
- A paisagem de uma praia, com o céu azul, o mar turquesa e um coqueiro verde. Isso é um exemplo de harmonia de cores frias. Todo mundo gosta.
Fácil, não é? Mas a harmonia não acontece somente entre cores frias, ela também acontece entre cores quentes. Veja mais um exemplo prático:

Sol

Sol

- A paisagem de um pôr-de-sol, o céu explodindo em amarelo e laranja com o sol vermelho roubando todas as atenções no horizonte, também é uma harmonia de cores. E de novo todo mundo gosta. As cores quentes, ao contrário do que muitos pensam, também formam uma harmonia entre si. Muita gente as confunde com contraste, que é outra história…

Agora vamos para dentro da casa e ver o que acontece.
Imagine uma parede verde. Vai combinar com um tapete azul escuro? Se a intenção for harmonizar, a resposta é sim, pois são cores frias. Se você ouvir um “mas verde não combina com azul…” substitua por “mas eu não gosto de verde com azul…”.
Sim, a maioria das vezes é uma questão de gosto e não de harmonia.

Existem muitas maneiras de você fazer grupos e acabar de vez com a sua eterna dúvida do “será que vai combinar?”
E só uma questão de praticar, aprendendo a visualizar mentalmente e, o mais importante de tudo, ter segurança.
É válido pedir opinião, mas nunca deixe que decidam por você.