A censura à obra de João Loureiro.
Aqui no Brasil temos conceitos estranhos: um homem pode construir um castelo, transformar em cassino para políticos omissos e ficar impune, mas um artista não pode fazer uma obra onde ele expressa a sua opinião.
Aconteceu agora com João Loureiro.
A direção do Centro Cultural São Paulo retirou a sua obra, uma fotografia chamada “O Fantasma”, que ficaria exposta até o dia 29 de março de 2009.
Sabe por que?

A obra polêmica
Porque os funcionários do Centro Cultural estão ofendidos.
Indignados!
Tanto que se mobilizaram (talvez inspirados nos caçadores da Caroline Pivetta) em escrever uma carta à Prefeitura de São Paulo reclamando do que eles chamam de “uma afronta contra os funcionários.”
Tudo porque a foto em questão foi feita em uma sala do Centro Cultural de São Paulo e retrata as mesas, cadeiras, computadores, armários e móveis cobertos com panos brancos com olhinhos, transformando-os em fantasmas.
Os funcionários acham que a mensagem implícita na imagem é que eles ficam enrolando ao invés de trabalhar, recebendo o salário sem aparecer no serviço.
Como se isso não acontecesse nas repartições públicas.
Senhores funcionários, façam algo mais útil.
Preocupem-se com castelos construídos com dinheiro público e mandem cartas pedindo explicação sobre políticos que frequentavam o cassino do castelo.
E deixem o artista trabalhar em paz e o povo decidir o que a imagem quis dizer.
Ao João Loureiro, autor da obra, fica uma sugestão: da próxima vez, além dos olhinhos, coloque também narizes de palhaço.
Ia caber como uma luva nesses funcionários.
A respeito da falsa polêmica sobre a retirada da obra de João Loureiro da entrada da área administrativa do Centro Cultural S.Paulo tenho a dizer que na condição de servidora pública municipal há 17 anos, sirvo à Comunidade, mas na condição de escritora e artista, sirvo à Humanidade, de forma que deste ponto de vista, digamos, mais abrangente, considero que o artista armou tal confusão sob o falso pretexto de ter coibida sua “liberdade de expressão” quando, não fosse por isso, seu trabalho JAMAIS teria dado tanto ibope na mídia, que por sua vez que não passa de tinta sobre o papel, alimento para o esquecimento.
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admin Reply:
fevereiro 13th, 2009 at 19:06
Márcia Denser,
confusão armada ou não, o direito à liberdade de expressão é básico em uma democracia. O fato mostra com clareza como muitos ainda não sabem lidar com opiniões contrárias.
Felizmente passamos da fase do”prendo e arrebento”.
Que os servidores públicos usem da mesma liberdade de expressão para se opor ao artista e não da censura a tudo que não os agrada.
É da mesma truculência imaginar que a mídia não passa de simples tinta sobre o papel, esquecendo-se dos pixels que materializam a informação transmitida pela internet e, enquanto o Google e outros mecanismos de pesquisas existirem, a informação será encontrada e se transformará em alimento não para o esquecimento, mas para a lembrança de atitudes de pequenos censores.
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