Archive for the ‘Mundo Complicado’ Category
Quarta-feira de cinzas, agora é de verdade.

É isso ai!
No Brasil o ano começa agora.
É quarta-feira.
Leia essa notícia: clique aqui.
Bom início de ano, Brasil.
Foto de Rodrigo Soldon
A desglobalização, o McDonald’s e o Mec Favela.
O que tem de semelhante o discurso de Gordon Brown, primeiro ministro britânico, e Adelmo Siqueira, proprietário de uma lanchonete em Heliópolis?
Talvez o fato de ambos estarem inclusos em um conceito chamado desglobalização.
Gordon Brown teorizou sobre o termo, recentemente, no auge da crise econômica, em Davos, alertando para o perigo.
O segundo, Adelmo Siqueira, muito antes de Gordon alertar, pratica a desglobalização há 12 anos.

O Mec Favela
Heliópolis é uma favela na capital de São Paulo, onde surgiu o Mec Favela, a lanchonete de Adelmo.
Segundo ele, foi a molecada da favela que começou a chamar a lanchonete assim. Ele gostou e adotou.
Até o dia em que recebeu uma notificação extra judicial do poderoso McDonald’s.
Como Adelmo segue o lema “manda quem pode, obedece quem tem juízo“, mudou o nome da lanchonete, cobrindo com tinta onde estava escrito Mec, ficando só o Favela.
Respeitou a lei do maior e mais forte.
É uma pena, Adelmo não tem a força de Gordon Brown e o mundo não se importa com o que ele pensa.
Se o mundo se importasse, poderia comprar a briga e colocar como sendo efeito da desglobalização.
E não estaria mentindo, nem enganando.
Ele formatou um negócio para atender ao público de uma favela.
Inclusive adotou o nome pelo qual os próprios consumidores chamavam o seu negócio.
Personalizou ou “customizou e segmentou“, como diriam os teóricos do marketing.
Não iria abalar as estruturas do gigante McDonald’s.
Iria só continuar atendendo à demanda de consumidores que o McDonald’s ignora.
O McDonald’s não quer fazer um lanche chamado X Calabresa para os consumidores de Heliópolis.
O McDonald’s não quer abrir uma loja lá.
Ele quer que os moradores de Heliópolis se desloquem até uma de suas lojas.
E comam não segundo o seu paladar, mas sim segundo o paladar dos americanos.
Mas os moradores de Heliópolis não irão até o McDonald’s.
Eles não querem McLanche Feliz.
E vão continuar chamando a lanchonete do sr. Adelmo de Mec Favela, mesmo com a tinta cobrindo parte do nome.
Quer o McDonald’s queira ou não.
Desglobalizou geral!
Leia também: Se a GM falir, a gente se Ford?
Fonte: Folha de São Paulo
A censura à obra de João Loureiro.
Aqui no Brasil temos conceitos estranhos: um homem pode construir um castelo, transformar em cassino para políticos omissos e ficar impune, mas um artista não pode fazer uma obra onde ele expressa a sua opinião.
Aconteceu agora com João Loureiro.
A direção do Centro Cultural São Paulo retirou a sua obra, uma fotografia chamada “O Fantasma”, que ficaria exposta até o dia 29 de março de 2009.
Sabe por que?

A obra polêmica
Porque os funcionários do Centro Cultural estão ofendidos.
Indignados!
Tanto que se mobilizaram (talvez inspirados nos caçadores da Caroline Pivetta) em escrever uma carta à Prefeitura de São Paulo reclamando do que eles chamam de “uma afronta contra os funcionários.”
Tudo porque a foto em questão foi feita em uma sala do Centro Cultural de São Paulo e retrata as mesas, cadeiras, computadores, armários e móveis cobertos com panos brancos com olhinhos, transformando-os em fantasmas.
Os funcionários acham que a mensagem implícita na imagem é que eles ficam enrolando ao invés de trabalhar, recebendo o salário sem aparecer no serviço.
Como se isso não acontecesse nas repartições públicas.
Senhores funcionários, façam algo mais útil.
Preocupem-se com castelos construídos com dinheiro público e mandem cartas pedindo explicação sobre políticos que frequentavam o cassino do castelo.
E deixem o artista trabalhar em paz e o povo decidir o que a imagem quis dizer.
Ao João Loureiro, autor da obra, fica uma sugestão: da próxima vez, além dos olhinhos, coloque também narizes de palhaço.
Ia caber como uma luva nesses funcionários.
Crédito da foto: divulgação
João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, fim de um sonho.

Gurgel Supermini
Faleceu hoje, 31/01/2009, em São Paulo, o criador da marca e dos carros Gurgel, que até 1995 decoraram as nossas ruas com um design e uma proposta totalmente diferente das multinacionais automobilísticas.
Independente da beleza dos carros, a iniciativa foi um marco para o Brasil. Clique aqui para saber mais.
Uma frase, dita por Gurgel, resume como foi a sua luta e a sua postura: “Posso ir à falência por incapacidade, erro de mercado, mas me recuso a ir à falência por decreto.”
Diante do situação caótica atual das indústrias automobilístas que nos empurram goela abaixo os seus carros na cor prata, fica a pergunta:
E se o Gurgel tivesse conseguido realizar o seu sonho?
O MST está plantando soja transgênica. Deve ser coisa do capeta.
São tantas coisas absurdas, que com o tempo você irá se acostumar.
Ou, se não acostumar, vai desconfiar de tudo, de todos e das causas.

Sem terra e sem vergonha
Você, com certeza, já ouviu falar do MST, do Stedile e do povo sofrido comandado por eles. Talvez até seja simpático à causa, o que é compreensível, porque é uma causa nobre e justa lutar pela distribuição de terras improdutivas para quem não tem.
Assim como lutar pela não proliferação dos alimentos transgênicos.
O MST é um dos maiores defensores da proibição dos alimentos transgênicos, talvez até mais do que da reforma agrária. Tanto que é inimgo público número 1 da multinacional Monsanto, produtora de sementes de soja trangênica.
Até aqui, tudo lógico.
Mas, veja se não tem a mão do capeta nisso:
“No assentamento gaúcho Novo Sarandi, considerado simbólico para o MST e escolhido como palco da comemoração de 25 anos da organização, reina a soja transgênica Roundup Ready –fabricada pela Monsanto–, plantada em milhares de hectares.
No Novo Sarandi –considerado especial pelo MST por ser um assentamento criado na primeira área invadida pelo movimento, em 1984–, a soja reproduz o modelo de agronegócio que o discurso dos sem-terra sempre combateu: manipulação genética, uso intensivo de defensivos agrícolas e royalties para a multinacional.”
O trecho acima foi retirado da reportagem publicada na Folha de São Paulo, dia 23/01/2009 e você pode acessá-la na versão eletrônica clicando aqui.
Ensinaram errado, a reciclagem emperrou.

Pizzaria brasileira
Muito bonitinhos os anúncios e as imensas reportagens que vimos dizendo que o Brasil era um dos países que mais reciclavam no mundo.
Histórias de famílias inteiras que viviam de catar lixo, reciclando e tirando dali o seu sustento. Junto a essas histórias, invariavelmente uma matéria mostrando a preservação do meio ambiente, normalmente de uma grande empresa poluidora que investiu milhões na recuperação do dano que ela causa.
No intervalo, um anúncios de empresas lutando pela preservação do meio ambiente.
Pois é, esqueça tudo isso.
Era tudo uma questão de dinheiro, de pagar pouco por matéria-prima, como já foi dito em um artigo anterior (clique aqui para ler).
Foi só vir a crise financeira e tudo acabou. Ninguém mais quer papel usado. Chega! As indústrias de papelão, no momento, não estão precisando dos catadores.
E os catadores, como o preço pago por quilo está muito baixo, não querem mais levar o seu lixo separado.
Hoje, janeiro de 2009, o custo do papelão usado não compensa o custo do transporte dos ferros-velhos para as fábricas.
Como também não deve estar compensando a estocagem, fica a pergunta: o que ia para a reciclagem vai para o lixo?
Algumas reportagens já começaram a mostrar o problema surgido nas famílias que separam o lixo, que agora está se acumulando porque deixou de ser uma mercadoria de valor para os catadores. Veja aqui, aqui e aqui.
Agora, você que tem consciência ecológica, quando pedir uma pizza, vai ter que pensar em transformar a embalagem em alguma fruteira horrorosa pintada com guache e uns apliques colados.
Esse é um espelho da implantação de programas pelo Governo do Brasil.
Não o fazem da forma correta, conscientizando a população.
No caso da reciclagem, isso está bastante claro: ela acontece por causa da miséria de uma camada da população e da ganância das indústrias que se beneficiam da matéria-prima reciclada.
É ingenuidade pensar que é por causa da preservação do meio ambiente.
Infelizmente.
As empresas boazinhas e seus atos conscientes.

Proibido para menores de 6 anos?
A partir de agora, jan/2009, as crianças com menos de 6 anos de idade estão protegidas.
E você pode ir dormir tranquilo.
É que algumas empresas alimentícias multinacionais presentes no Brasil assinaram um termo de compromisso EU-Pledge que determina que não farão propaganda dirigida às crianças menores de 6 anos.
Sim, você leu certo, 6 anos e não 16 anos.
A intenção é que a comunicação com as crianças menores de 6 anos seja feita de uma forma mais responsável.
A propaganda não deixará de ser feita, mas agora será dirigida aos pais das crianças, situação que, se não for pior, é a mesma coisa.
Agora os pais das crianças é que serão convencidos a comprar porcaria para os filhos.
A notícia já foi espalhada nos noticiários pelas assessorias de imprensa das empresas envolvidas no acordo, passando a imagem de empresas conscientes e boazinhas.
As paladinas da justiça são:
- Nestlé
- Coca-Cola
- PepsiCo
- Danone
- Kellog´s
- Kraft
- Unilever
- Burger King Europa
Para você ir dormir mais tranquilo ainda, algumas questões não foram esclarecidas pelo termo de compromisso:
- Qual a diferença entre propaganda direcionada às crianças de 7 ou 8 anos das direcionadas para 6 anos?
- Qual o tipo de aviso precederá a propaganda para avisar a criança de 6 anos? Algo do tipo “saia da sala agora, você não pode ver isto!“?
- As embalagens dos produtos também deixarão de ter apelo visual para crianças com menos de 6 anos?
- Como as apresentadoras dos programas infantis farão os seus merchandisings, pedirão também para as crianças saírem da sala?
Como você pode notar, é mais do mesmo, ou seja, mais uma medida adaptada às regras do marketing politicamente correto para melhorar a imagem das empresas.
Se fosse coisa séria e relevante, não seria termo de compromisso e sim uma lei proibindo a propaganda direcionada ao público infantil, de forma ampla e irrestrita para uma faixa etária maior que as das crianças menores de 6 anos.
Mas isso não é assunto para agora, pois em fevereiro tem carnaval.
A cadeira de pneus usados e o nosso mundo complicado.

Cadeira de pneus usados
A partir de hoje, o DecorandoTudo inaugura uma nova seção chamada Mundo Complicado.
Nela você vai ver temas, ligados ou não ao mundo da decoração, típicos dos nossos dias.
A intenção da seção não é fazer crítica, mas discutir algumas atitudes, hábitos e comportamentos que divulgamos, muitas vezes influenciados pela mídia.
Para começar, um pouco sobre a sustentabilidade, reciclagem e meio ambiente.
Todos temas da moda.
E, por força da mídia, nos esforçamos para fazer as nossas ações e vender uma imagem condizente.
Mas, falando francamente sobre alguns produtos que circulam por aí, mostrados na tv, nas revistas, nos sites, nos blogs etc fica a pergunta: você usaria?
A foto acima é o típico produto do nossos dias, uma espreguiçadeira feita com pneus usados, e que ninguém tem coragem de criticar.
Repito a pergunta e acrescento mais algumas:
Você usaria?
Colocaria tal peça em destaque na sua casa?
Seria confortável?
Seria durável?
Sujaria a roupa?
Teria cheiro?
Se as suas resposta apontaram para uma rejeição ao uso pessoal da espreguiçadeira, cabe uma nova pergunta:
A quem interessa divulgar um produto desses, a não ser aos que faltam assunto mais consistente?
Pois é… nós estamos fazendo o mundo ficar cada dia mais complicado.