Archive for the ‘Opinião’ Category
A reforma ortográfica e os nhenhenhens.

O decreto
Essa história da Reforma Ortográfica deu um barulhinho, principalmente nos blogs.
Acho que principalmente por ser um bom gancho para chamar o nosso glamoroso Presidente de analfabeto e estúpido.
Bem, mas desta vez, ele não é o culpado da coisa.
A atual Reforma foi proposta em 1990 e aprovada pelo Congresso em 1995, portanto quando o dito cujo ainda não era Presidente e falava que na mesa dos pobres tinha “menas” comida.
A única coisa que ele fez foi assinar a Reforma Ortográfica, da mesma forma como fizeram Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O objetivo da reforma é unificar a língua portuguesa, a quinta mais falada no mundo, nos países que adotam o português como idioma oficial.
A reforma atingirá somente 0,45% (menos de 0,5%) das palavras brasileiras, portanto não há motivo para tanto…
E o prazo para adaptação às novas regras é até 31 de dezembro de 2012.
Até lá as duas escritas serão consideradas corretas.
Que seja melhor.

Feliz 2009
Não é muito difícil falar sobre o que desejamos para o Ano Novo, porque basicamente todos têm as mesmas expectativas: saúde, amor, dinheiro, prosperidade, fraternidade, solidariedade etc.
Você deseja isso e eu também.
Acontecerá?
Bem, das coisas que só dependem de você, o seu empenho aumenta a probabilidade.
As outras, que dependem dos vagabundos que elegemos, ninguém sabe.
Mas existe um desejo, que deveríamos desejar com todo o fervor, que nunca aparece nos votos de Ano Novo: mais cultura.
Sem ela, os que vão ganhar dinheiro no próximo ano o farão deixando outros mais pobres.
Sem ela, muitos ainda vão continuar achando que o assistencialismo é sinônimo de fraternidade e solidariedade.
Sem ela, vamos continuar a comprar serviços de saúde, educação e segurança, sem exigir do Estado o oferecimento desses serviços gratuitamente e com qualidade.
Sem ela, continuaremos elitistas, egoístas e preconceituosos.
Por isso, desejo a todos, amigos, leitores, blogueiros, assinantes e pára-quedistas somente uma coisa: cultura.
Que ela seja farta para mim e para você no Ano Novo.
Se for assim, e para todos, os outros desejos se realizarão automaticamente.
Feliz 2009!
Pois é, quem tem medo que contrate um segurança.

Tem quem gosta...
Hoje, 19/12/2008, se tudo sair dentro do previsto, a perigosa Caroline Pivetta da Mota (clique aqui para saber quem é ela) deixará a prisão por meio de um habeas corpus.
Fez-se meia justiça, pois agora ela poderá responder pelo seu crime em liberdade, assim como milhares de pilantras fazem.
Cada vez mais temos motivos para acreditar que esse é um país justo e que será a próxima potência mundial.
Amém!
A Caroline Pivetta que se lasque, a decoração de Natal é mais importante agora.

Vai ser difícil limpar
Aparentemente este assunto não tem muito a ver com o tema decoração.
Mas tem. E muito.
Explico: o universo da decoração está recheado de cabeças vazias e preocupadas com um mundo cor-de-rosa, que pensam que estão fazendo a sua parte quando reciclam uma garrafa pet e distribuem conselhos para uma vida melhor, mesmo que seja em um condomínio fechado que os isola da triste realidade de um país em frangalhos.
Para quem não acompanha este blog regularmente, há 20 dias uma postagem colocava em discussão os 30 dias de prisão de Caroline Pivetta da Mota, para muitos simplesmente Carol ou ainda Carol Sustos, forma como ela assinou a ordem de prisão.
Carol, para quem não sabe, é a jovem de 23 anos que, junto com outros integrantes do SUSTO”S, pichou o andar vazio da Bienal, SP.
Pelo feito, está na prisão há 50 dias. Somente ela.
Sim, 50 dias redondos e parece que vai permanecer mais um tempo.
Tempo suficiente para uma reflexão.
Não dela, mas nossa.
Por que somos tão covardes em aceitar uma prisão desse tipo e concordar com ela?
Por que, nesse caso, somos tão zelosos com o patrimônio público?
Por que apoiamos tamanha truculência?
Por que não somos corajosos para exigir o mesmo rigor com os vagabundos eleitos pelo voto?
Por que não nos preocupamos com o patrimônio público quando é delapidado em falcatruas (sim, dinheiro público também é patrimônio)?
Por que acharíamos injusto se fôssemos presos por sonegar impostos?
A resposta, infelizmente, é só uma: mais uma vez queremos garantir o nosso.
Que se lasquem os outros.
Que se lasque o patrimônio público.
Que se lasque a Bienal.
Que se lasque a Caroline.
No fundo, inconscientemente, queremos que os pichadores deixem as nossas casas livres.
Queremos um belo muro.
Uma bela árvore de Natal.
Uma mesa farta para a ceia.
No dia seguinte, limpamos a consciência reciclando as garrafas pet e as embalagens usadas na ceia.
A Caroline?
Que se exploda…
A Carol está lá, ainda presa.

Decore com a Carol
Com certeza, você, uma pessoa bem informada sabe quem é a Carol, que neste momento está cumprindo pena em uma penitenciária.
Talvez você não se lembre, em meio a tantas notícias sobre a roubalheira e as maravilhas resultantes do aumento de renda neste país que não tem catástrofes naturais.
Caroline Pivetta da Mota, 23 anos, ou simplesmente Carol, é a pichadora que, junto com outros, pichou o prédio da Bienal, SP.
Ela pode cumprir pena até a próxima Bienal, em 2010.
Não existe coisa mais horrorosa do que a pichação enquanto “visual”.
Eu não aconselharia você a ter uma pichação na sala da sua casa. O resultado não é bom.
Polui demais.
Mas é opinião pessoal, faça na sua casa o que lhe faz bem.
Mas a pichação, gostem ou não, é legítima.
Principalmente quando é feita em um local como a Bienal, que tem a proposta de difundir idéias através da arte.
É legítima também nas ruas, nos prédios públicos ou qualquer outro lugar.
Assim como também é legítima a ação policial de prender os pichadores e a ação da justiça de penalizá-los.
Concluindo: o pichador pode pichar, ele sabe que pode ser preso e será quando pego.
A decisão de cometer a infração é um direito de todo cidadão, seja roubando ou pichando.
O que não pode é prender pichador e deixar esse bando de ladrões eleitos pelo voto, solto.
Isso não é legítimo, nunca será.
Portanto, soltem a Carol.
Soltando-a, vão liberar espaço para colocar um desses vagabundos no lugar.
Intervenção sobre foto de reiner.kraft
Home office, por que isso?

Eles ensinam, nós aprendemos
Ainda bem que o ser humano é contraditório.
Isso é bem legal, pois nada é mais chato do que uma pessoa coerente o tempo todo, a vida toda.
A coerência, muitas vezes, mostra que faltou coragem para mudar, aprender, pensar diferente.
Mas existem contradições que não se explicam.
Uma delas é adotar nomes em inglês para determinadas coisas ou situações.
Prejudica o entendimento.
Enrola a língua.
Faz algumas pessoas se passarem por ignorantes.
Sem motivo.
O “home office” é uma delas. Por que isso?
Pode ser que a origem esteja no pensamento tosco de que dando esse nome ao escritório da casa, ele passe a ser mais exclusivo e mais “home office“.
Uma tolice de quem ganhou um pouco de dinheiro e acha que “aconteceu”.
Uma das coisas que nós, iletrados do Brasil, precisamos aprender é a nos comunicar com clareza.
Não tem nada a ver com a nossa língua portuguesa, a defesa da natividade, a identidade.
Tem a ver simplesmente com a comunicação sem esforço.
Sem esforço para falar e sem esforço para entender.
Não é nada contra o inglês.
Em português também acontece e com frequência.
Chamar a sua empregada doméstica de secretária é a mesma coisa.
Não vai deixar você um nível acima.
Você não vai ser mais chique porque tem uma empregada que chama de secretária.
Você pode esbravejar que a valorização não é para você, mas para ela.
Vamos fazer de conta que é verdade.
O que ela ganha?
Continua fazendo os serviços domésticos, ganhando uma merreca e não tendo os mesmos benefícios que uma secretária tem.
A comunicação ineficiente está nos fazendo perder tempo e inteligência.
E nos fazendo perder oportunidades.
Quer uma sugestão?
Aproveite que você tem um “home office“, não deixe que ele seja apenas decorativo: faça-o produzir alguma coisa útil além de horas intermináveis navegadas na internet e promova a empregada doméstica à secretária.
Em comunicado direto e claro: arregace as mangas e mãos à obra!
Para terminar:
Good bye, baby!
O Brasil não tem bons designers?

Orbit
Há coisas que ficam na cabeça da gente e aparentemente não têm uma explicação clara.
Se você é um leitor de blogs relacionados à decoração e design de produtos, deve conhecer um monte que divulga diariamente, ou quase, produtos e idéias.
Mas, não sei se você já notou, quase nada do Brasil. Alguns colocam até o preço em dólar ou euros, além do link para comprar.
Bem, daí resta uma dúvida: o design brasileiro não é bom o suficiente para ser mostrado ou será, mais uma vez, o nosso lado colonizado achando que o que vem de fora é mais “hype“?
Procurar pela rede os bons designers nacionais dá um pouco mais de trabalho, mas não é porque eles não têm o capricho de fazer boas fotos ou um bom site.
É porque os gringos têm mais grana, mais recursos, mais apreciadores e mais divulgadores (nós inclusive).
O designer nacional tem a si só e pronto.
Talvez seja a hora de começar a pensar no consumo e na divulgação do design nacional.
O design nacional, principalmente no setor de decoração, precisa de recursos para deixar de ser quase um artesanato com muita cerâmica, terracota e juta.
Vamos deixar a herança cultural para o artesanato e partir para a comercialização de um design com temáticas que reflitam o nosso dia-a-dia.
Particularmente eu nunca vi um índio frente a frente, nem onça.
Nasci na cidade e nela eu vivo.
O designer nacional, acreditem, já usa computador, projeta com auxílio de CAD CAM, não é ativista de ONGs, não vive em comunidades ribeirinhas ou indígenas e é um profissional como qualquer outro, ou seja, precisa vender os seus serviços e produtos.
Exatamente como os designers europeus.
A diferença é que o designer nacional, se quiser ver os seus designs transformados em produtos, tem que ele mesmo investir na fabricação, comercialização e divulgação.
E sozinho.
Se a GM falir, a gente se Ford?

Pássaros antenados
Mesmo quem não entende nada de economia, não se interessa pelo assunto e acha que tudo isso é muito complicado, deve ter ouvido falar da atual crise financeira.
Mesmo se não ouviu, vai sentir.
Não querer pensar ou falar dela em nada vai fazê-lo ficar imune aos efeitos.
É bom começar desde já, pois os governantes que nós elegemos estão se reunindo, tomando decisões e anunciando as medidas.
É correto pensar que estão trabalhando, afinal foram contratados por nós para isso, mas diante do tal quadro não é correto ficar alienado.
Isso tem a ver com a decoração? Sim, pois se você tem interesse por decoração é porque busca viver melhor, então…
Há alguns anos o mundo assistiu (e comprou) as maravilhas da globalização.
Tínhamos chegado ao paraíso.
Não existiam mais barreiras, econômicas ou culturais, para vencer.
Viramos cosmopolitas.
Hoje, se você ler as notícias, vai notar que alguma coisa deve ter dado errado.
Aliás, muito errado.
E o mais desanimador é que as soluções propostas seguem na mesma direção, ou seja, manter o mesmo sistema.
Parece ser um caminho sem volta.
Infelizmente (novamente).
Não li, não vi e não ouvi nenhuma proposta de voltar.
Parece que ninguém quer discutir a “regionalização”. A globalização é consenso entre os que mandam e entre nós, que somos mandados.
Temos que salvar a GM senão a gente se Ford!
Mas se você vestir a sua capa de superpoderes sonhadores, poderá exercitar a experiência.
Uma sociedade, independente do tamanho, tende a se auto-sustentar desde que todos os envolvidos tenham importância e poder semelhantes.
Isso é fato.
Vale para um grupo de amigos, uma vila, um bairro e uma cidade.
Funciona perfeitamente? Não.
Mas funciona melhor do que esse modelo globalizado.
No resultado final, seria muito melhor se você pudesse comprar na mercearia do Seu Manoel, no seu bairro, indo a pé e fazendo exercício do que no Wall Mart, procurando vaga e queimando combustível e paciência.
E que o Seu Manoel da mercearia usasse o dinheiro comprando produtos ou serviços que você vende e não gastando com um tênis Nike que ele definitivamente não precisa.
No fundo, seria mais ou menos como comprar ações do Seu Manoel e ele retribuir comprando as suas ações.
E seria muito simples.
Mas simplicidade, definitivamente, não é um assunto que dominamos.
Quando a piada não tem graça nenhuma.

O banheiro do Brasil.
A síntese (agrupamento de fatos particulares em um todo que os abrange e os resume) não é algo fácil, pois depende de boa vontade e interpretação de quem lê.
E ler, atualmente, parece ser algo desnecessário.
E pensar no que foi lido mais ainda. Por isso somos o país das piadas.
Há quem as defenda porque mostram uma irreverência que só o brasileiro tem. No fundo mostra uma incapacidade em assumir as verdades e os problemas.
Ao encerrar uma postagem com uma frase que para muitos é uma piada, mas que para mim é uma síntese completa do que somos, dois comentários me chamaram bastante a atenção.
Um especialmente pela ira e o outro por descontextualizar justamente a função da colocação dessa suposta piada ao final da postagem.
Para não deixar dúvida de que não se tratava simplesmente de uma piada, um claro “ Típico da Identidade Brasil:” precedeu a frase que, aí deve estar o motivo da ira, falava de um certo presidente.
Um simples exercício de raciocínio lógico bastaria para entender que, sutilmente, a proposta da piada para encerrar a postagem não era denegrir a imagem do tal presidente, pois isso ele faz sozinho, mas mostrar que assuntos sérios viram piadas e que isso é Brasil.
Fazer uma reforma ortográfica em um país onde pessoas com nível universitário não sabem nem o minímo para produzir um texto sem erros básicos de acentuação e pontuação (a prova está em milhares de blogs por aí) e permitir que sejam gastos milhões em campanhas para explicar os efeitos do álcool, enquanto a propaganda de cerveja
rola solta pela TV é a verdadeira piada.
Esses milhões deveriam ser gastos na educação e no tratamento do alcolismo, inclusive do dito cujo que é defendido com paixão.
Para encerrar e reafirmar que a Identidade Brasil é coisa que deveríamos nos envergonhar e não ficar fazendo piadas ou perder tempo defendendo governantes, a pesquisa Pulso Brasil do Instituto Ipsos, de 2007, revela que:
- Quase 10% dos entrevistados que passaram por uma faculdade (tendo completado ou não o curso) não sabem que o Brasil se localiza na América do Sul.
- 50% dos brasileiros não sabem localizar o país no mapa-mundi.
- Para 2%, o Brasil fica na Argentina.
- Um porcentual pouco maior acha que o país se localiza na África – a dúvida é se no Chade ou na República Democrática do Congo.
- Só 18% dos brasileiros conseguem identificar os Estados Unidos e apenas 3% localizam corretamente a França.
- Quanto à Argentina, tão citada em piadas futebolísticas, 84% nem sequer desconfiam de que faz fronteira com o Brasil.
Riam à vontade.
Eu vou voltar ao mundo cor-de-rosa da decoração.
De onde veio isso, meu Deus?

Árvore dobradura
Eu explico, não tem nada a ver com a foto, cada um faz a árvore que quiser.
A da foto aí de cima podemos classificá-la como “diferente”. E tá bom para ela.
Mas a pergunta do título desta postagem é simplesmente para testar os seus conhecimentos.
Sem ir ao Google, responda:
- De onde surgiu a árvore de Natal?
- O que representa?
- Por que é usada?
Eu já fui ao Google e posso dar uma luz, inclusive poupando a busca indicando este link com o texto completo. Para os que acham que aprender só um pouco é suficiente, este trecho basta:
“No início do século 8, quando o monge beneditino anglo-saxão Bonifácio foi autorizado pelo papa Gregório II a trabalhar como missionário na Turíngia, Alemanha central, o então futuro santo católico se deparou com o culto generalizado da árvore. Primeiro, combateu-o duramente. Chegou a empunhar o machado e abater uma árvore sagrada erguida no topo de um monte, para mostrar a inexistência dos deuses pagãos. Depois, passou a invocar o perfil triangular do abeto (espécie de árvore conífera) como Símbolo da Santíssima Trindade.”
Mas esta postagem não pára por aqui, a árvore é só um exemplo de como fazemos as coisas sem saber por que.
Você, eu, os seus pais, os seus avós, os seus filhos, os seus netos e os seus bisnetos já montaram ou montarão muitas árvores de Natal.
E todos sem saber o por que.
Este é um ponto básico.
Não gostamos de aprender, queremos fazer.
E depois queremos que os outros vejam e façam o que nós fizemos.
O que isso lembra? A decoração.
Passou a ser algo que todos podem fazer, o que é muito bom.
A maioria dos que fazem, não têm a miníma idéia do porque fazem. O que é muito ruim.
Típico da Identidade Brasil: um presidente alcóolatra e analfabeto que assina a Lei Seca e a Reforma Ortográfica.
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