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Nano Car, o carro mais barato do mundo. Problema ou solução?

O carro dos pobres
A fabricante indiana Tata começou a vender no dia 23/03/2009 o esperado Nano Car, o carro mais barato do mundo.
Custando 2.000 dólares tem como público-alvo, segundo o fabricante, cidadãos pobres dos países em desenvolvimento que não tinham condições de comprar um carro.
A princípio parece uma boa pedida.
Promover o acesso do cidadão ao meio de locomoção mais usado no mundo é uma atitude do tipo Madre Teresa de Calcutá.
O marketing da redução das desigualdades.
Mas não é.
Pois ao definir um público-alvo partindo dessa premissa, promove a desigualdade com o “carro para pobre”.
Além disso, aumenta o número de carros circulando e os problemas gerados pelo uso do automóvel, como a emissão de poluentes, aquecimento global, caos urbano etc.
Propostas como o Nano Car deveriam ser apresentadas como alternativas ao uso de carros grandes e não como símbolo do status social.
Deveria ter como público-alvo os usuários de jipões, caminhonetes e carros potentes que são usados no dia-a-dia transportando somente uma pessoa e tidos como símbolo do poder consquistado.
Bastava mostrar para esses usuários, via belos anúncios, que chegou a hora de deixarem de ser pequenos imbecis em grandes carros.
A fabricante Tata, assim como todas as montadoras de automóveis do mundo, está passando por sérias dificuldades.
E parece que vai continuar porque não consegue pensar diferente.
Faz igual a todos os Governos e as empresas diante da crise não querendo que a festa acabe.
Sabe por que nenhuma festa dura para sempre? Porque os convidados se esgotam, a música enjoa, a bebida e a comida já não descem mais.
Chega uma hora que o melhor é ir para casa e se recompor dos excessos.
Rastreador obrigatório em veículos. Mais uma conta para você pagar

Vai treinando...
A entrada do Brasil no Primeiro Mundo, como querem nos fazer crer, vai ser paga por nós.
A nova Lei que obriga, a partir de agosto/2009, todos os veículos saírem de fábrica com o rastreador e bloqueador antifurto instalado parece, à primeira vista, um passo para a frente.
Estamos tecnológicos, inibindo o furto e o roubo de carros com o uso de satélites.
Mas…
A lei só obriga o fabricante do veículo a instalar o equipamento. Lógico que o custo será acrescentado ao valor final do carro.
A ativação do sistema e o seu pagamento mensal é por conta do proprietário. Detalhe importante e bonzinho: o proprietário não é obrigado a ativar o sistema.
Pode rodar livremente com o aparelho sem funcionar.
Traduzindo: se você quiser localizar o seu veículo depois de roubado (sim, ele não impede o roubo, apenas dificulta e onde o veículo foi parar), terá que pagar o trabalho que cabe à Polícia.
Só falta vir com as algemas para você mesmo prender o bandido.
Se fosse em Portugal estaríamos fazendo piada.
Foto de Mark Coggins
Novo Ford Edge. Aprenda inglês para ter um.

Yes! Temos Ford Edge!
A Ford, aquela que agoniza nos EUA (mas não perde a pose), lançou aqui no Brasil o Ford Edge.
Se é bom não dá para saber, mas pelo anúncio que circula nos jornais e revistas, ele vem com “Dual Zone, AWD, Vista Roof, Duratec e Sync Media System“.
Na verdade toda essa enrolação quer dizer ar-condicionado, tração nas 4 rodas, teto solar, motor e sistema de som, ou seja, o mínimo que um carro com um preço que é um assalto tem que ter.
É assim que a publicidade e o marketing trabalha duro para enfiar na sua cabeça que você precisa ter um.
E muita gente, depois de ler o anúncio, sai pensando “Meu!!! Como é que até hoje eu consegui viver sem um Sync Media System?”.
Guarde o dinheiro. Abra a janela do seu fusqueta e deixe o ar entrar.
Quando a coisa está preta como agora, a última coisa que você vai precisar é de um ar-condicionado Dual Zone.
Foto: divulgação Ford