Posts Tagged ‘cidade’

Mais ou menos um pouco disso.

À noite, todas as ruas são pardas.

À noite, todas as ruas são pardas.

A cidade nos influencia ou nós influenciamos a cidade?
Nós influenciamos a cidade, porque ela é uma ampliação do nosso círculo de convívio social.
Conviver é bom, faz bem e nos ensina muito.

Vivemos em células e por algum motivo, que somente sociológos poderiam explicar melhor, estamos separando essas células e impedindo a formação de um sistema celular.
A idéia básica de uma casa[bb] é que todos os seus cômodos convivam entre si.
Estando essa casa em um bairro, prédio ou condomínio permanece a idéia de convivência.
E os bairros estando em uma cidade é normal que convivam também.

O problema é que não basta a convivência desses elementos urbanos e materiais. Não temos cidades funcionando como um sistema celular se não temos pessoas interagindo entre si.
O funcionamento de uma residência atual mostra um isolamento total dos seus moradores.
A cozinha deixou de ser o lugar de cozinhar[bb] (compra-se pronto) e a sala não é mais o lugar de estar.
Conseqüentemente uma casa está deixando de ser uma casa.

Uma casa passou a ser um agrupamento de quartos, cada qual com o seu mundo particular.
Chegará o dia no qual cada um terá a sua geladeira[bb] no quarto para não ter o trabalho de ir até a cozinha. E nós, consumidores do conforto, vamos achar isso muito chic.
Se um publicitário fosse fazer um anúncio honesto (coisa impossível para um publicitário) de um apartamento, mostraria somente os quartos e colocaria como título “Tudo o que uma família precisa em um apartamento”.

É dificil entender porque ainda vendem a varanda, a sala integrada com a cozinha, um cubículo com o suntuoso nome de Hall de Entrada, uma churrasqueira[bb] no térreo (que nunca será usada) chamada de Espaço Gourmet e mais um monte de outras coisas alojadas confortavelmente em 80m².
Um arquiteto esperto faria um apartamento com quartos maiores, com uma cozinha, um banheiro e uma sala dentro de cada um dos quartos.

Estamos transpondo tudo isso para a cidade.
E, de repente, ficamos de mau humor quando um desconhecido nos dá bom dia.

Acredite, o desconhecido só estava tentando conviver, participar e dividir.
Ele não ia assaltá-lo.

O lugar aonde eu moro.

Manhã na praça

Manhã na praça

A postagem abaixo faz parte do projeto Mostre-se ao Mundo, realizado pela Abril Digital, onde os blogueiros publicam suas fotos retratando a sua cidade.
Sou um dos convidados e se você se interessa por fotografia e urbanização, convido você para, após ler o texto, clicar nos links dos álbuns com as fotos do projeto sobre a minha cidade no final desta postagem.

“Sempre associei o lugar onde eu moro com a minha casa. Deve ser porque o meu assunto principal é decoração de interiores.
Mas quando recebi o convite para participar do projeto Mostre-se ao Mundo retratando a minha cidade, me dei conta que ela também é o lugar onde eu moro.
Parece óbvio, mas não é tanto assim. Não consideramos verdadeiramente as nossas cidades como as nossas casas.

Se considerássemos, elas estariam melhores. Habitamos as cidades como se elas não fossem parte da nossa vida, mas um meio onde necessariamente temos que estar. E conviver.

Moro em Araraquara, Estado de São Paulo, uma cidade do interior.
Não tão pequena como os moradores das capitais imaginam as cidades do interior e nem tão grande como os moradores de uma cidade do interior querem que sua cidade seja.
Nos ensaios fotográficos mostro detalhes que se não formos capazes de administrar e corrigir, me fazem concluir que não seremos capazes de resolver questões mais complexas.

Não adianta discutir a favelização, a criminalidade, o trânsito, a arrecadação, o desemprego etc se nós, como contribuintes, não nos importamos com pedras soltas no piso de uma praça ou um pequeno buraco na calçada.
E o administrador, se não tem capacidade para manter uma praça bem cuidada, não terá capacidade para mais nada.

Poderia ter feito fotos bonitas, vistas noturnas, detalhes arquitetônicos com o céu ao fundo, uma praça com chafariz.
Estaria enganando vocês.
Pior, estaria me enganando.”

Esta postagem é parte da Missão – Mostre-se ao Mundo, proposto pela Abril Digital aos blogueiros e é completada com a publicação das fotos no PinFotos. São 4 álbuns que podem ser acessados pelos links abaixo:

- Vistas da cidade
-
Cenas Cotidianas
- Coletividade
- Municipalidade

Constatação. Contestação.

Um jogou e o outro não limpou.

Um jogou e o outro não limpou.

Você descobre que está em um país desenvolvido quando encontra lixeiras instaladas pelo poder público nas ruas.

Você tem pés! E eles ainda servem para alguma coisa.

Use os seus pés.

Use os seus pés.

Hoje, 22 de setembro (lógico que você já viu em todas as mídias), é o Dia Mundial Sem Carro.
Uma proposta que realmente precisa ser levada a sério e deixar de ser somente uma proposta para se tornar uma atitude.
É possível? Sinceramente não.
Enquanto estivermos vivendo em grandes aglomerados urbanos, concentração comercial e influência da publicidade nos empurrando goela abaixo que “você é um sucesso quando consome mais e mais”, isso não será possível.
O carro há muito deixou de ser um meio de transporte e passou a ser um objeto símbolo de status. O pensamento atual é se você pode eu também posso, e pior, eu posso mais.
Faça uma experiência e observe hoje, o Dia Mundial Sem Carro, quantos carros você vai ver rodando com somente uma pessoa. Aproveite e conte também quantos jipões ocupando espaços desnecessários pelas ruas.
É preciso repensar as cidades, o comércio, o transporte público, tudo…
Se quiser ver uma proposta interessante, acesse este link.
Seria bom se deixássemos de ir comprar em grandes redes de supermercados e pudéssemos voltar a comprar na quitanda e mercearia do bairro, que voltariam a ser abastecidas pelo produtor local. Seria bom se deixássemos de freqüentar shoppings e voltássemos a ter como lazer hábitos culturais.
Utopia? Talvez sim, talvez não.
O problema é que antes de tentar, já estamos convictos de que isso não é possível.