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O dia mundial sem carro ou, se preferir, mexa-se!

sem carro

Hoje, 22 de setembro, é o Dia Mundial sem Carro.
Uma data besta e inócua para a maioria que pensa algo do tipo “esses poetas… como viver sem carro?”

Para quem faz essa pergunta, existe uma resposta: sim, é possível viver sem carro.
Basta querer e ter muito bem definido qual é o seu objetivo de vida.
Se você for daqueles que acha que um carro mostra ao mundo quem você é, o quanto você subiu na vida e coisas do tipo, esqueça o Dia Mundial sem Carro, ele não foi feito para você.
Compre um carro caro, possante e estiloso e seja feliz.

Mas se você é uma pessoa preocupada com o bem estar e a saúde, inclusive dos outros, lembre-se que o Dia Mundial sem Carro foi criado não para que você passe um tormento, saindo a pé ou de ônibus por aí durante 1 dia no  ano e ande de carro nos outros 364 dias.

Hoje é um dia de conscientização.
Tem muito a ver também com o meio ambiente, mas muito mais a ver com você e a sua saúde.
Um dia para você repensar o seu estilo e objetivo de vida.
Vale a pena viver em função de automóveis?
Vale a pena dispor de tanto capital em um veículo?
Vale a pena andar de carro e se exercitar em academia?
Vale a pena acreditar que você é igual àquela gente que aparece em comerciais de carros?

Vale?

Foto de Hamed Saber

As lojas que não vendem nada. Ou quase nada…

Dinheiro?

Dinheiro?

Elas têm cara de lojas, produtos de lojas, vendedores de loja, mas não foram feitas para vender.
Ou melhor, para vender da forma como todo mundo está acostumado.
São as lojas da “economia grátis” (ou freeconomics, para quem acha mais chique envernizar com o inglês), que migraram da internet para a economia real.

Você já viu isso na internet e provavelmente já usou serviços pelos quais não tem que pagar nada.
A novidade é que você também vai poder fazer isso no mundo real quando, por exemplo, usar um celular[bb] sem pagar nada pelo aparelho.
Lógico que as operadoras vão pedir a sua fidelidade em forma de um contrato.

Eles dão o celular e você usa o serviço deles.
É justo. E pode ser vantajoso para você, principalmente nesta época de tempos bicudos com crise mundial até para catadores de papel (veja aqui).
Mas o sistema não vai ser só para celular. Outros estão aderindo, como a famosa Ikea, marca internacional conceituada no comércio de móveis e decoração[bb], que tem uma balsa que faz a ligação entre Manhattan e sua loja no Brooklin.
Todo mundo pode usar, não precisa ir à loja e muito menos comprar nada.
Segundo a Ikea, essa atitude faz a marca mais querida.

No Brasil, a coisa ainda não está muito evoluída (ainda somos quase primeiro mundo), mas já temos algumas iniciativas nesse sentido. Recentemente, uma marca de eletrodomésticos[bb] criou espaço semelhante a uma loja com o intuito de divulgar a marca, oferecendo cursos gratuitos para quem quiser testar os produtos. Tudo o que você vê dentro da “loja” não está à venda no local.

Então lembre-se: se você estiver em Manhattan e precisar ir até o Brooklin fazer qualquer coisa, use a balsa da Ikea, que é grátis.
Só não se esqueça de ficar gostando mais ainda da Ikea.

Foto de Pingu1963

As empresas boazinhas e seus atos conscientes.

Proibido para menores de 6 anos?

Proibido para menores de 6 anos?

A partir de agora, jan/2009, as crianças com menos de 6 anos de idade estão protegidas.
E você pode ir dormir tranquilo.

É que algumas empresas alimentícias multinacionais presentes no Brasil assinaram um termo de compromisso EU-Pledge que determina que não farão propaganda dirigida às crianças menores de 6 anos.
Sim, você leu certo,  6 anos e não 16 anos.

A intenção é que a comunicação com as crianças menores de 6 anos seja feita de uma forma mais responsável.
A propaganda não deixará de ser feita, mas agora será dirigida aos pais das crianças, situação que, se não for pior, é a mesma coisa.
Agora os pais das crianças é que serão convencidos a comprar porcaria para os filhos.

A notícia já foi espalhada nos noticiários pelas assessorias de imprensa das empresas envolvidas no acordo, passando a imagem de empresas conscientes e boazinhas.
As paladinas da justiça são:

  • Nestlé
  • Coca-Cola
  • PepsiCo
  • Danone
  • Kellog´s
  • Kraft
  • Unilever
  • Burger King Europa

Para você ir dormir mais tranquilo ainda, algumas questões não foram esclarecidas pelo termo de compromisso:

  1. Qual a diferença entre propaganda direcionada às crianças de 7 ou 8 anos das direcionadas para 6 anos?
  2. Qual o tipo de aviso precederá a propaganda para avisar a criança de 6 anos? Algo do tipo “saia da sala agora, você não pode ver isto!“?
  3. As embalagens dos produtos também deixarão de ter apelo visual para crianças com menos de 6 anos?
  4. Como as apresentadoras dos programas infantis farão os seus merchandisings, pedirão também para as crianças saírem da sala?

Como você pode notar, é mais do mesmo, ou seja, mais uma medida adaptada às regras do marketing politicamente correto para melhorar a imagem das empresas.
Se fosse coisa séria e relevante, não seria termo de compromisso e sim uma lei proibindo a propaganda direcionada ao público infantil, de forma ampla e irrestrita para uma faixa etária maior que as das crianças menores de 6 anos.

Mas isso não é assunto para agora, pois em fevereiro tem carnaval.

Talvez o Lula esteja lendo revistas sobre decoração…

Olhando fotos no jornal

Olhando fotos no jornal

Tenho um certo preconceito, admito.
Mas não é em relação ao nosso afortunado Presidente, mas sim em publicar opinião sobre Ele aqui neste blog.
Explico: há algum tempo, publiquei uma postagem (leia aqui) que terminava com uma piada que circula na internet e, dos poucos comentários que normalmente consigo, alguns eram irados em defesa ao Imaculado Presidente.

Mas diante da última do Mandatário Supremo, é praticamente impossível ficar imune.
Você já leu em outros , tenho certeza, a declaração Dele à Revista Piauí que não lê jornais “Porque tenho problema de azia”.

Atenção defensores de plantão, a questão não é o que ele diz, mas o que faz.
Explico novamente: em outro trecho Ele explica como se informa e aí é que mora o problema.
O Presidente disse que prefere ver o vídeo de uma reportagem de televisão[bb] ou um artigo trazido diariamente por Franklin Martins (Ministro da Comunicação Social) ou por Clara, Assessora Especial da Presidência, ou seja, as fontes de informação são filtradas e direcionadas.
Talvez, como as revistas de decoração[bb], com matérias maravilhosas de um mundo cor-de-rosa, decorado com flores, moradores felizes e deliciosamente fúteis.

Alguém aí, com mais de 30 anos, se lembra do seriado A ilha da fantasia?

P.S.- As referências a Ele estão sempre em maiúsculas não em deferência ao cargo, mas porque Ele é o Próprio.

Foto de Gustty

Quando a piada não tem graça nenhuma.

O banheiro do Brasil.

O banheiro do Brasil.

Sala do Palácio do Planalto, foto de Dircinha

A síntese (agrupamento de fatos particulares em um todo que os abrange e os resume) não é algo fácil, pois depende de boa vontade e interpretação de quem lê.
E ler, atualmente, parece ser algo desnecessário.
E pensar no que foi lido mais ainda. Por isso somos o país das piadas.

Há quem as defenda porque mostram uma irreverência que só o brasileiro tem. No fundo mostra uma incapacidade em assumir as verdades e os problemas.
Ao encerrar uma postagem com uma frase que para muitos é uma piada, mas que para mim é uma síntese completa do que somos, dois comentários me chamaram bastante a atenção.
Um especialmente pela ira e o outro por descontextualizar justamente a função da colocação dessa suposta piada ao final da postagem.

Para não deixar dúvida de que não se tratava simplesmente de uma piada, um claro “ Típico da Identidade Brasil:” precedeu a frase que, aí deve estar o motivo da ira, falava de um certo presidente.
Um simples exercício de raciocínio lógico bastaria para entender que, sutilmente, a proposta da piada para encerrar a postagem não era denegrir a imagem do tal presidente, pois isso ele faz sozinho, mas mostrar que assuntos sérios viram piadas e que isso é Brasil.

Fazer uma reforma ortográfica em um país onde pessoas com nível universitário não sabem nem o minímo para produzir um texto[bb] sem erros básicos de acentuação e pontuação (a prova está em milhares de blogs por aí) e permitir que sejam gastos milhões em campanhas para explicar os efeitos do álcool, enquanto a propaganda de cerveja[bb] rola solta pela TV é a verdadeira piada.
Esses milhões deveriam ser gastos na educação e no tratamento do alcolismo, inclusive do dito cujo que é defendido
com paixão.

Para encerrar e reafirmar que a Identidade Brasil é coisa que deveríamos nos envergonhar e não ficar fazendo piadas ou perder tempo defendendo governantes, a pesquisa Pulso Brasil do Instituto Ipsos, de 2007, revela que:

- Quase 10% dos entrevistados que passaram por uma faculdade (tendo completado ou não o curso) não sabem que o Brasil se localiza na América do Sul.

- 50% dos brasileiros não sabem localizar o país no mapa-mundi.

- Para 2%, o Brasil fica na Argentina.

- Um porcentual pouco maior acha que o país se localiza na África – a dúvida é se no Chade ou na República Democrática do Congo.

- Só 18% dos brasileiros conseguem identificar os Estados Unidos e apenas 3% localizam corretamente a França.

- Quanto à Argentina, tão citada em piadas futebolísticas, 84% nem sequer desconfiam de que faz fronteira com o Brasil.

Riam à vontade.
Eu vou voltar ao mundo cor-de-rosa da decoração.

Mais ou menos um pouco disso.

À noite, todas as ruas são pardas.

À noite, todas as ruas são pardas.

A cidade nos influencia ou nós influenciamos a cidade?
Nós influenciamos a cidade, porque ela é uma ampliação do nosso círculo de convívio social.
Conviver é bom, faz bem e nos ensina muito.

Vivemos em células e por algum motivo, que somente sociológos poderiam explicar melhor, estamos separando essas células e impedindo a formação de um sistema celular.
A idéia básica de uma casa[bb] é que todos os seus cômodos convivam entre si.
Estando essa casa em um bairro, prédio ou condomínio permanece a idéia de convivência.
E os bairros estando em uma cidade é normal que convivam também.

O problema é que não basta a convivência desses elementos urbanos e materiais. Não temos cidades funcionando como um sistema celular se não temos pessoas interagindo entre si.
O funcionamento de uma residência atual mostra um isolamento total dos seus moradores.
A cozinha deixou de ser o lugar de cozinhar[bb] (compra-se pronto) e a sala não é mais o lugar de estar.
Conseqüentemente uma casa está deixando de ser uma casa.

Uma casa passou a ser um agrupamento de quartos, cada qual com o seu mundo particular.
Chegará o dia no qual cada um terá a sua geladeira[bb] no quarto para não ter o trabalho de ir até a cozinha. E nós, consumidores do conforto, vamos achar isso muito chic.
Se um publicitário fosse fazer um anúncio honesto (coisa impossível para um publicitário) de um apartamento, mostraria somente os quartos e colocaria como título “Tudo o que uma família precisa em um apartamento”.

É dificil entender porque ainda vendem a varanda, a sala integrada com a cozinha, um cubículo com o suntuoso nome de Hall de Entrada, uma churrasqueira[bb] no térreo (que nunca será usada) chamada de Espaço Gourmet e mais um monte de outras coisas alojadas confortavelmente em 80m².
Um arquiteto esperto faria um apartamento com quartos maiores, com uma cozinha, um banheiro e uma sala dentro de cada um dos quartos.

Estamos transpondo tudo isso para a cidade.
E, de repente, ficamos de mau humor quando um desconhecido nos dá bom dia.

Acredite, o desconhecido só estava tentando conviver, participar e dividir.
Ele não ia assaltá-lo.

Quer apostar que eu sei a cor do seu carro?

Todos os carros são prata.

Todos os carros são prata.

Se o seu carro é novo, digo sem medo de errar: é prata.

Há algum tempo as ruas estão sendo invadidas por carros na cor prata. É impossível não notar o fenômeno.
Comecei a formular uma teoria com uma lógica interessante.
O brasileiro escolhe carros na cor prata porque a natureza aqui é muito farta em cores.
Temos praias, frutas em cores cítricas e berrantes, orquídeas, sol o ano todo, enfim somos privilegiados.

Não precisamos de cores nos nossos carros, ao contrário dos europeus, que têm uma paisagem cinzenta na maior parte do tempo, prédios antigos cinzentos, um inverno longo, a neve que só é bonita para ver e não para conviver.
Por isso eles compram carros coloridos, para levar um pouco de cor para as ruas. Até carro na cor framboesa você vê.
Amarelo então…

É assim que se começa um conceito sem fundamento.
Alguém escreve alguma coisa, outro lê, passa adiante, cai na mão de algum formador de opinião que tem um canal em um veículo com uma penetração forte e em algum dia, que ele está sem assunto melhor, coloca uma teoria dessas com ares de grande descoberta.

A razão dos brasileiros comprarem carros prata, infelizmente, é bem mais prosaica: são mais fáceis de revender.
Seria muito mais confortante saber que o brasileiro coloca o seu gosto acima de qualquer outro motivo na hora da escolha.
Não nos ensinaram assim.
Triste.

Um pouco mais ou um pouco menos?

A decoração se assemelha muito à maquiagem. Na verdade ela é uma maquiagem.
Vejamos: você pode fazer uma maquiagem suave, onde a evidência está nas linhas do seu rosto, dosando exatamente a quantidade de blush e o contorno com batom.
Isso sem falar na escolha das cores, evidenciando e harmonizando as cores naturais.
Nessa opção a chance de ser bem sucedida é grande.
Você também pode escolher uma maquiagem carregada, com cores vibrantes, carregando e alterando o contorno com o batom. Pode aumentar o volume do cabelo, evidenciando outros elementos além das linhas do seu rosto.
Essa outra opção apresenta mais riscos, pois você pode exagerar.
Portanto, se você é uma pessoa com padrões estéticos dentro da média, é importantíssimo saber dosar. Mas se você é uma pessoa com padrões estéticos arrojados, pode aumentar a dose.
Pinte os cabelos de azul ou raspe a cabeça, coloque piercing ou faça uma tatuagem, exagere de vez e faça seu estilo ou, fique na sua, mas nunca exagere só um pouco, pois o resultado pode ser simplesmente uma classificação de perua ou brega…
Tudo isso é para exemplificar o que pode ocorrer na decoração. Um pequeno exagero pode transformar um ambiente com padrões estéticos dentro da média em em algo destoante, como um batom um pouco forçado ou um cabelo um pouco armado…

Um jardim em cima da mesa

Um jardim em cima da mesa

Observe o ambiente da foto, bastante comum, sem nenhum arrojo e nenhuma proposta de design, mas que é a decoração mais em voga nos dias de hoje com uma pequena alteração do objeto usado como centro de mesa.
Se a sua casa segue esse estilo, seja coerente. Não tente colocar um arranjo em cima da mesa que lembra os Jardins Suspensos da Babilônia.
Não vai ficar bom, inclusive vai ficar parecendo a Hebe Camargo.

A mesa sem o jardim

A mesa sem o jardim

Escolha um centro de mesa baixo, elegante e sóbrio. E não precisa colocar nada dentro dele, nada mesmo. Deixe o objeto ter a sua integração com o ambiente, fazendo com que cada um tenha um peso visual similar.
Pensando assim e, principalmente, decorando assim, você vai ganhar um conhecimento prático de harmonia até poder chegar um dia em que você vai poder fazer, sem medo de errar, o maior exagero do mundo!