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O emblemático caso das embalagens Piraquê.

“Se você é brasileiro, sobretudo carioca, e tem mais de 20 anos, certamente teve sua infância marcada pelas embalagens dos biscoitos Piraquê“*.
Criadas por Lygia Page na década de 60, se tornaram um clássico e agora estão sendo reformuladas.
E daí?
Daí nada.
Mas o caso virou um pequeno burburinho na internet, principalmente entre os designers, que estão reverberando nos blogs, twitters e afins no que vem sendo chamado de “O crime da Piraquê”.
Aliás, foi com este título que a polêmica inicial foi postada no blog Pitadinhas da Daniela Name, crítica de arte, jornalista, curadora e carioca.
O tal “crime da Piraquê” na verdade não passa de bolachinhas que vem dentro de um saquinho e nada mais é do que um produto de consumo.
Era assim quando a Piraquê chamou a Lygia Page para fazer as embalagens, acredito que pagando por isso, e continua sendo assim quando a mesma Piraquê resolveu mudar o visual das embalagens.
Isso não é crime, isso é mercado.
Crime é sonhar que um produto gordurento dentro de um saquinho é uma obra de arte exposta em gôndolas de supermercados levando cultura ao povo.
Se o motivo da polêmica é a grandeza da arte de Lygia Page, que ela seja lembrada pela sua produção enquanto artista plástica e não como criadora dos tais presuntinhos e queijinhos.
No máximo em 3 dias a polêmica passa e os denunciantes vão seguir a vida normalmente comendo bolachas, assim como a Piraquê fabricando bolachas.
Mas o caso é emblemático da época em que vivemos: uma simples embalagem de um produtinho de supermercado é embalada como se fosse uma obra de arte.
É a imagem se sobrepondo ao conteúdo, é o fim se sebrepondo ao meio.
* A frase que abre esta postagem foi copiada do blog Pitadinhas, da matéria que faz a denúncia do crime.