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Uma idéia para todo mundo gostar da Caroline Pivetta: grafite com tricô.
Uma mania que está rolando por alguns países pode ser a solução para os grafiteiros e pichadores: cobrir propriedades públicas com tricô.
Sim, no lugar das latinhas de spray entram agulhas e linhas e todo mundo fica mais calminho, tanto os pichadores quanto os pichados. Se você não está entendendo nada e não sabe quem é a Caroline Pivetta, clique aqui.

grafite de tricô
O movimento foi criado nos Estados Unidos e vem ganhando adeptos de uns malucos pelo mundo afora que embrulham propriedades públicas como árvores, postes, corrimãos, semáforos e outros mobiliários urbanos com peças tricotadas.
Chamado de Yarn Bombing, algo como bombardeio de novelos, o movimento foi criado no Texas, Houston, por Magda Sayeg.
Ela começou cobrindo o trinco de sua loja de roupas e, maluquinha, ficou inspirada pelos comentários e resolveu criar um grupo de tricoteiros e tricoteiras e espalhar essa espécie de grafite pelas cidades.

Fácil de fazer
Atualmente já há registros do movimento na Holanda, Suécia, Finlândia, Canadá, China, Austrália e Grã-Bretanha e até um ônibus já foi coberto pelo grupo.
Para quem está cansado de fazer blusinhas e sapatinhos de bebê e tem um pouco de rebeldia adolescente reprimida dentro de si, a dica está dada: arme-se com suas agulhas e saia bombardeando a cidade com novelos!
O movimento tem um blog e para acessá-lo é só clicar aqui.
Coisa de louco.

Árvore com casaco
Pois é, quem tem medo que contrate um segurança.

Tem quem gosta...
Hoje, 19/12/2008, se tudo sair dentro do previsto, a perigosa Caroline Pivetta da Mota (clique aqui para saber quem é ela) deixará a prisão por meio de um habeas corpus.
Fez-se meia justiça, pois agora ela poderá responder pelo seu crime em liberdade, assim como milhares de pilantras fazem.
Cada vez mais temos motivos para acreditar que esse é um país justo e que será a próxima potência mundial.
Amém!
A Caroline Pivetta que se lasque, a decoração de Natal é mais importante agora.

Vai ser difícil limpar
Aparentemente este assunto não tem muito a ver com o tema decoração.
Mas tem. E muito.
Explico: o universo da decoração está recheado de cabeças vazias e preocupadas com um mundo cor-de-rosa, que pensam que estão fazendo a sua parte quando reciclam uma garrafa pet e distribuem conselhos para uma vida melhor, mesmo que seja em um condomínio fechado que os isola da triste realidade de um país em frangalhos.
Para quem não acompanha este blog regularmente, há 20 dias uma postagem colocava em discussão os 30 dias de prisão de Caroline Pivetta da Mota, para muitos simplesmente Carol ou ainda Carol Sustos, forma como ela assinou a ordem de prisão.
Carol, para quem não sabe, é a jovem de 23 anos que, junto com outros integrantes do SUSTO”S, pichou o andar vazio da Bienal, SP.
Pelo feito, está na prisão há 50 dias. Somente ela.
Sim, 50 dias redondos e parece que vai permanecer mais um tempo.
Tempo suficiente para uma reflexão.
Não dela, mas nossa.
Por que somos tão covardes em aceitar uma prisão desse tipo e concordar com ela?
Por que, nesse caso, somos tão zelosos com o patrimônio público?
Por que apoiamos tamanha truculência?
Por que não somos corajosos para exigir o mesmo rigor com os vagabundos eleitos pelo voto?
Por que não nos preocupamos com o patrimônio público quando é delapidado em falcatruas (sim, dinheiro público também é patrimônio)?
Por que acharíamos injusto se fôssemos presos por sonegar impostos?
A resposta, infelizmente, é só uma: mais uma vez queremos garantir o nosso.
Que se lasquem os outros.
Que se lasque o patrimônio público.
Que se lasque a Bienal.
Que se lasque a Caroline.
No fundo, inconscientemente, queremos que os pichadores deixem as nossas casas livres.
Queremos um belo muro.
Uma bela árvore de Natal.
Uma mesa farta para a ceia.
No dia seguinte, limpamos a consciência reciclando as garrafas pet e as embalagens usadas na ceia.
A Caroline?
Que se exploda…
A Carol está lá, ainda presa.

Decore com a Carol
Com certeza, você, uma pessoa bem informada sabe quem é a Carol, que neste momento está cumprindo pena em uma penitenciária.
Talvez você não se lembre, em meio a tantas notícias sobre a roubalheira e as maravilhas resultantes do aumento de renda neste país que não tem catástrofes naturais.
Caroline Pivetta da Mota, 23 anos, ou simplesmente Carol, é a pichadora que, junto com outros, pichou o prédio da Bienal, SP.
Ela pode cumprir pena até a próxima Bienal, em 2010.
Não existe coisa mais horrorosa do que a pichação enquanto “visual”.
Eu não aconselharia você a ter uma pichação na sala da sua casa. O resultado não é bom.
Polui demais.
Mas é opinião pessoal, faça na sua casa o que lhe faz bem.
Mas a pichação, gostem ou não, é legítima.
Principalmente quando é feita em um local como a Bienal, que tem a proposta de difundir idéias através da arte.
É legítima também nas ruas, nos prédios públicos ou qualquer outro lugar.
Assim como também é legítima a ação policial de prender os pichadores e a ação da justiça de penalizá-los.
Concluindo: o pichador pode pichar, ele sabe que pode ser preso e será quando pego.
A decisão de cometer a infração é um direito de todo cidadão, seja roubando ou pichando.
O que não pode é prender pichador e deixar esse bando de ladrões eleitos pelo voto, solto.
Isso não é legítimo, nunca será.
Portanto, soltem a Carol.
Soltando-a, vão liberar espaço para colocar um desses vagabundos no lugar.
Intervenção sobre foto de reiner.kraft