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Você usaria?

O sofá detestado.
Um dos desafios da decoração contemporânea é fazer a pessoa aplicá-la em sua própria casa, vencendo a barreira do convencional.
A proposta contemporânea se resume em utilizar materiais e temas que adequam o ambiente ao estilo de vida de hoje.
Atualmente, nada mais lógico que o reaproveitamento de materiais, a praticidade e a individualização estejam presentes na decoração.
A maioria acha genial, mas hesita na hora de usar em sua própria casa.
Para ilustrar a questão, compensa acompanhar o dilema da Isabel com o sofá que ela detesta e a sua solução aparentemente provisória. Os links estão no final da postagem.
Eu estou acompanhando com o maior interesse e quero ver o final dessa história (se a Isabel optar por trocar o sofá).
Na tv, a Casas Bahia ficam chamando a Isabel para comprar um sofá novo.
Na internet, a Talma mandou ver uma sugestão totalmente contemporânea.
Eu não arrisco fazer uma aposta. E você?
Conheça a história toda nestes links:
Isabel e o sofá
O sofá repaginado
A sugestão da Talma
Colocando uma cadeira do Philippe Starck na sala da Casas Bahia.

Cadeira Starck e sofá Bahia
1- “A atração por móveis de verniz sobreviveu intacta às décadas. Bote brilho num armário e ele venderá como água. Ao pesquisar as razões disso, cheguei a uma conclusão interessante: além de “embelezar”, essas pessoas atribuem ao verniz um efeito de limpeza, algo que prezam acima de tudo. Também amam portas espelhadas. Passamos a vender muito mais desde que tomamos a decisão de trocar enfeites por espelhos nos armários. Eles fazem tanto sucesso porque conferem amplitude às casas populares, nas quais os cômodos são cada vez mais espremidos. Espelhos e móveis envernizados também dão certa sensação de status, tanto quanto a cozinha planejada. Ela lembra a da classe A. O que muda é o material.”
2- “De um certo ponto de vista, design é totalmente inútil. Trabalhos úteis são o de um astrônomo, biólogo ou aqueles que fazem diferença na vida de muita gente. Design por design, não é nada. Tentei dar a meus produtos um senso de energia. Mas, mesmo quando dava o melhor de mim, senti que era pouco. Criei um monte de coisas sem verdadeiramente me interessar. Talvez todos esses anos tenham sido necessários para que me desse conta de que no fundo não precisamos de nada. Possuímos demais. Fui um produtor de materialidade. Daqui para frente, quero ser um fabricante de conceitos. Será uma nova forma de expressão, nova arma, mais rápida, mais violenta que o design.
Passei 25 anos aplicando um conceito na época revolucionário, o do design democrático. Isso quer dizer: dar as melhores formas ao maior número de pessoas, aumentando a qualidade e baixando preços. Mas, se há 25 anos era legal falar da qualidade de uma cadeira, hoje há outras urgências. Vou usar meu savoir-faire para ser mais subversivo, ligado à política e desenvolver conceitos como o da ecologia democrática.”
3- Putz!!!
1A- O dito número 1 é de autoria de Samuel Klein, o dono das Casas Bahia, em entrevista à Veja em 23/06/2008.
2A- O dito número 2 é de autoria de Philippe Starck, o designer contemporâneo mais celebrado do mundo, em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo em julho de 2008.
3A- Determinadas coisas a gente não precisa comentar, só pensar.
Links: Philippe Starck no blog Renata Batata e Samuel Klein no site das Casas Bahia
O meu sonho é um dia poder comprar um sofá nas Casas Bahia!

Tem no Magazine Luiza também.
Todas as grandes redes de varejo vendem sofás.
E eu espero um dia poder entrar em uma delas, escolher um sofá com um design honesto e ser beneficiado com as facilidades especiais de pagamento em 24 ou 36 vezes, onde o grande destaque é o preço da parcela.
Mas esta postagem não é sobre os juros embutidos e sim sobre a oportunidade perdida de fazer com que a maioria da população comece a consumir produtos com um design melhor.
Quando essas redes oferecem produtos horrorosos com nomes mais horrorosos ainda (tipo conjunto estofado Milano) é um desserviço ao design nacional. Produzir um produto feio custa o mesmo que produzir um produto bonito. O que é mais caro é você produzir um produto com mais qualidade, mas isso não significa beleza.
Eles devem ter lá os seus especialistas em marketing e vendas com seus argumentos empacotados dizendo que o público-alvo deles não consome um produto com um visual melhor, que vendem para a classe C e D etc e tal.
Mas será verdade? O povo que tem menos dinheiro tem mau gosto? E se tem, quem foi que ensinou a eles?
A resposta é simples: as grandes redes foram os professores do mau gosto. Eles conseguem vender móveis para sala, quarto e cozinha que são uma verdadeira afronta ao bom senso estético. O povo vai comprar sim o que eles colocarem à venda, porque eles conseguem com seus anúncios repetitivos e massificantes empurrar goela abaixo qualquer coisa, seja feio ou bonito, desde que possa ser pago no carnê.
Para fechar o raciocínio, abaixo está uma outra foto de um produto que eles também têm à venda nas mesmas lojas que vendem os sofás horrorosos.
E aí fica a pergunta: você acha possível um sofá daquele harmonizar, no mesmo ambiente, com uma tv como esta?

TV de rico